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Respeite sua dor , mas não se agarre a ela.

Será que tem como explicar para as pessoas que não viveram sua realidade, não sentiram na pele o que você sentiu a dor de toda aflição que você passou em algum momento da vida? Não, o outro não tem como mensurar todas as sensações e consequências emocionais do seu trauma, o que você passou pertence somente a você.


E sim, sua dor importa, você sofreu, doeu, e isso foi horrível e pesado, ninguém tem o direito de questionar seu sofrimento, como você não tem o direito de questionar o dos outros, não há como calcular quem sofreu mais ou menos, por que a aferição disso se baseia em algo subjetivo e interno, cada um lida com sua própria dor tendo a responsabilidade de encará-la e resolvê-la.


Resolver? Essa é uma palavra que causa aversão àqueles passivos diante da vida, que culpam tudo e a todos pelos seus infortúnios, é muito mais fácil andar fixado em um passado que não pode ser mudado, do que olhar de frente e elaborar todos os seus efeitos de uma forma que isso não o afete mais. Melhor utilizar da dor que se viveu para justificar comportamentos e atitudes questionáveis: “sou assim por que fui criado assim”, “agi dessa forma porque sofri muito”, “não sei amar porque não fui amado”, etc. 


Como explicado, estes se apoiam na dor para fundamentar condutas, sem nunca pensar que a chave para a transformação está na mudança de mentalidade.


Ao se perceber um trauma o objetivo próximo deve ser elaborar isso de modo que não guie o seu comportamento presente, por mais que a dor importe, por mais que faça sentido, por mais que doeu muito, isso já é passado, e não se pode viver apoiado nisso para sempre.


Não é fácil avaliar algo que te fez sofrer, mas é possível, diversas abordagens terapêuticas podem ajudar nesse enfrentamento, o importante é seguir em frente, viver o presente sem as intercorrências do passado, conseguir com inteligência emocional e resiliência fazer das “pedras” que te deram um grande “castelo forte”, resistente e preparado para fazer diferente e melhor do que te fizeram.


Leticia do Nascimento - Psicanalista

 
 
 

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